5 dicas e benefícios para bauruenses começarem uma horta medicinal

De Paula Borim para Social Bauru

field-2168030_1920Você, assim como grande parte da população mundial, provavelmente teve sua vida e rotina modificadas devido à pandemia do novo coronavírus, não? Aqui no Brasil, estamos completando quase 90 dias de distanciamento social para frear a disseminação e contágio da doença.

Assim, ainda que algumas atividades tenham continuado, estamos passando muito mais tempo em casa. Por isso, muitos sentiram a necessidade de criar novos hábitos, hobbies e distrações que possam ser colocados em prática no ambiente domiciliar.

Entre eles, está o cultivo de plantas. A atividade, que tornou-se uma tendência entre as mais variadas idades nos últimos tempos, está sendo ainda mais aderida neste momento e com um adendo: a possibilidade de cultivar uma horta medicinal.

Confira a seguir dicas de como cultivar uma horta medicinal e os benefícios da prática.

1. Quase uma “terapia”

O aumento do tempo livre dá margem a algo que, a longo tempo, pode tornar-se um inimigo: o ócio. Portanto, para evitar que o tédio se instale, adotar uma ocupação que demande cuidado contínuo é uma ótima pedida.

Dessa forma, a jardinagem, além de decorar ambientes, aparece como algo fácil, prático e barato. A atividade, por demandar uma atenção maior no “aqui e agora” serve quase como uma terapia ocupacional.

Ademais, cultivar plantas demanda paciência! Por isso, também auxilia na diminuição do estresse e níveis de ansiedade.

2. Fácil acesso 

Como forma de unir o útil ao agradável, as plantas escolhidas para a horta podem ser medicinais. Assim, além dos benefícios para o bem-estar, o cultivo também pode trazer vantagens para a saúde física.

A professora e coordenadora do curso de Farmácia da FIB (Faculdades Integradas de Bauru), Rute Mendonça Xavier de Moura, aponta que um grande proveito da atividade é o fácil acesso a compostos naturais capazes de aliviar dores e desconfortos.

No entanto, destaca: “as plantas medicinais a serem cultivadas e utilizadas, devem ser sempre conhecidas. Assim, também devem apresentar registros científicos em literaturas da área ou em resoluções da ANVISA. Isso garante a segurança e eficácia do seu emprego, considerando que ‘não é porque é natural que não fazem mal’”. 

Por isso, as espécies não devem ser escolhidas de forma aleatória, sendo necessária a consulta de profissionais da área, médico e farmacêuticos. A docente ainda ressalta a importância de critérios rigorosos quanto aos usos, como:

  • Conhecer a origem da planta,
  • Escolher a parte correta da mesma a ser utilizada (folhas, flores, frutos, raízes);
  • Escolher a forma correta de preparo: infusão (chás), cozimento (decocção) ou maceração (para uso externo);
  • Atenção à associação com outros medicamentos industrializados e as possíveis interações que podem ocorrer dessas.

3. Benefícios comprovados 

A professora e mestre explica que, de acordo com a Farmacopeia Brasileira – o livro oficial da Farmácia – a eficácia de muitas plantas medicinais já está comprovada.

Em casos mais simples, algumas plantas medicinais podem ser recomendadas por apresentarem efeitos satisfatórios, comprovados cientificamente e com poucos ou nenhum efeito colateral, entre elas:

  • Anis/Erva Doce – Pimpinella anisum (Fruto Seco): auxiliam na eliminação dos gases intestinais, cólicas intestinais;
  • Calêndula – Calendula officinales (Flores): anti-inflamatória (processos inflamatórios dermatológicos, uso externo), cólicas intestinais;
  • Camomila – Matricaria recutita (Flores): Levemente sedativa/calmante, cólicas intestinais, anti-inflamatória (processos inflamatórios dermatológicos, uso externo);
  • Melissa – Melissa officinalis (Folhas): Calmante;
  • Capim-Limão/Erva Cidreira – Cymbopogonis folium (Folhas): Calmante e analgésico;
  • Maracujá – Passiflora sp (Folhas): Calmante;
  • Guaco – Mikania laevigatae folium (Folhas): Expectorante.

Mesmo para essas espécies mais comuns, Rute Mendonça ressalta a importância de que o uso seja feito com critérios e com supervisão ou conhecimento de um médico ou farmacêutico.

4. Forma mais natural de tratamento

Sendo assim, como destacado pela especialista, as plantas com eficácia comprovada podem servir como aliadas ao tratamento de diversas enfermidades. Ainda, quanto mais naturais forem, melhor atuarão no organismo!

A única ressalva é o uso exclusivo sem a prescrição de médicos e farmacêuticos. Até porque é importante lembrar que as plantas medicinais são consideradas também como medicamentos, as quais a dose e forma de uso devem ser respeitadas.

5. É fácil cultivar!

Ainda, o bauruense Marcelo Kanashiro, funcionário da Floricultura Bom Jesus, adianta que é possível – e fácil – cultivar sua própria horta medicinal em casa.

Ele explica que as plantas podem ser cultivadas em vasos ou em jardineiras. Inclusive, é possível deixá-las no mesmo vaso em que são compradas. Entre as espécies que melhor adequam-se a casas e apartamentos, Marcelo cita hortelã, anador, ervas de São-Marcos, artemísia, babosa, boldo, ora-pro-nobis, penicilina, Doril, arruda, entre outras.

“Assim como as ervas medicinais, os temperos também podem ser cultivados em casa ou apartamento, como manjericão, orégano, manjerona, estragão, salsinha, cebolinha, tomilho, alecrim, manjericão toscana, sálvia, entre outros temperos”, dá a dica para aqueles que quiserem expandir a horta.

Ademais, são necessários apenas os cuidados básicos. Entre eles, destaca a luz solar direta, por cerca de quatro horas diárias (de preferência na parte da manhã ou no fim da tarde) e regar sem encharcar.

“O ideal é utilizar o que chamamos de “dedômetro”, tocar a terra e verificar se está úmida. Se estiver bem úmida, deixar a rega para o dia seguinte e sempre na parte da manhã, pois o sol não está tão forte”, finaliza

 

A publicação original você encontra no link abaixo.

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